EXCLUSIVO: vaza áudio de conversa sigilosa de Luciano Cartaxo, Adalberto Fulgêncio e Diego Tavares sobre grana pública; OUÇA
28/03/2019 13:10 em Tecnologia

Virou moda gravar-se conversas sigilosas entre gestores públicos, às vezes com clareza total do que estão tramando, outras vezes numa linguagem codificada, o que induz a suspeitas. Fala-se em grana, pagamentos, percentuais de bate-e-volta, melhor via pra grana circular etc etc.

A mais recente delas chegou ao PB Agora e à coluna por intermédio de uma fonte. Trata-se de uma conversa entre o secretário Adalberto Fulgêncio, o prefeito Luciano Cartaxo com participação de Diego Tavares.

Não se pode afirmar, categoricamente, que há falcatrua sendo arquitetada pelos gestores. Mas a conversa (escute o áudio abaixo) sugere alguns questionamentos:

Por que prefeito, tem que “pagar mais para pegar $ 1 milhão”?

Por que na saúde pode ser mais interessante se for 40% e na Emlur for 30%?

Por que a preocupação de escolher o fornecedor pra pagar? E tem que ser um que dê segurança e não seja ficção?

O PB Agora endereçou e-mail à Secom-JP pedindo explicações sobre a conversa. Não obteve resposta, porém.

O assunto entra em pauta porque trata-se de dinheiro público. Assim sendo, é dá conta de todos nós. O leitor escute o áudio ou leia a transcrição e tire suas conclusões .

Uma curiosidade: quem gravou o áudio, com que finalidade e por que vazou?

Transcrição da conversa abaixo

Adalberto: Eu vou conversar essa semana com dois ou três fornecedores. Eu ia para Picuí não vou mais não, porque eu ir para Picuí, sair daqui tarde, fazer uma fala, voltar no outro dia, é melhor ficar aqui, menos exposto.

Adalberto: Inaudível...

Adalberto: incompreensível 

Adalberto: Ou Luciano, deixa eu te falar um negócio antes, eu só posso falar isso aqui, vamos falar de dinheiro, é negócio de dinheiro, certo. Eu tenho que falar com você por que tem alguns movimentos, pra gente não ter que falar depois e ficar com medo de tudo. Olha, tem reconhecimento de dívida lá, de algumas empresas, certo, pelo meu orçamento acho que só tem R$ 300 (trezentos) a 400 (quatrocentos) mil na 25 (vinte e cinto).

Luciano: Certo

Adalberto: Mas tem R$ 2 milhões na zero zero, aí o caba queria como foi em 2016, além do que a gente ficava pagando (...trecho incompreensível)...tem ainda Kairós, Kairós deve ter R$ 1 milhão, tô dando um chute aqui. Mas se botar na zero zero tem como pagar. Eu não tenho na 25. Você autorizando isso eu acho que dá pra pegar aí R$ 1 milhão, 1 milhão e meio, tá certo.

Luciano: mas a gente tem que pagar a mais pra poder pegar R$ 1 milhão.

Adalberto: Ah, tá certo, o senhor está certo (....). 

Luciano: Tem que ser um que dê pra pagar de R$ 300 a 400 mil

Adalberto: Eu acho que até R$ 2 milhões dá pra pagar, assim na zero zero. De R$ 1 milhão vai tirar R$ 200 mil 

Luciano: Tem que ver o custo disso. Por exemplo, tem um negócio desse lá na Emlur, se for para pagar num sei quanto para a Emlur para tirar um negócio menor, se tem uma margem maior de resolutividade aqui, se vai tudo para a zero zero, entendeu, é melhor resolver.... (trecho incompreensível).

Adalberto: Mas na zero zero é aquela história, a Sefin bota no fundo e eu pago pelo fumo.

Diego: Tem que ver quanto é que são os dois, quanto é que chega

Luciano: Mas tem que ter uma negociação, porque se não eu vou pagar lá na Emlur para chegar 30% e se eu fizer na saúde que chega a 40%, é preferível  resolver o problema na secretaria saúde que é mais rápido, não tem tanta burocracia.

Adalberto: sim, a Kairós é um cinto de segurança, a gente pode falar. Tem aquele caba do RJ da RTS, lembra, que a gente conhece.

Luciano: por que eu não posso na ficção.

Adalberto: na ficção não tem jeito. Eu quero uma coisa segura, morreu. Ficção só se fala, num tem condições, porque eu não tenho como pagar, eu não vou me trazer um problema não, as peças ficam me chantageando, eu digo meu amigo, faça o que você quiser.

Luciano: reabrir negócio com um povo que é complicado, depois a gente fica aí.

Diego: Não é nem que é complicado, é que tem que pagar o mesmo.

Luciano: mas não pode.

Adalberto: não pode, o que eu estou falando é algo que está lá, uma dívida que foi num sei de quando e que teve processo licitatório, está tudo em ordem, é só pagar e...

Luciano: Aí é o seguinte, o que é que a gente tem que fazer, amanhã, nós três sentar, vocês explicam mais ou menos o que é, porque eu tenho que decidir de tirar de algum canto para fazer isso. Fazendo o serviço ....e tiver uma agilidade, aí você vai resolve, nós vamos botar x aqui e vai passando, isso aí nós vamos fazer um mapinha pra ver até onde a gente pode ir com isso, entendeu, eu acho que daí da pra gente voltar pra essa estratégia nossa.

Wellington Farias

Fonte:PB Agora

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