DIA D- Campanha vacina cachorros e gatos contra raiva animal em toda Paraíba; São mais de 700 mil animais
21/10/2017 - 15h20 em Brasil

 A cadela Catarina, da raça Fox Paulistinha, de 3 anos, chamou a atenção, neste sábado (21) pela manhã, no posto de vacinação na sede da Secretaria de Estado da Saúde (SES), na Torre, em João Pessoa. Ela estava com uma focinheira e, em pouco tempo que esteve por lá, deu para perceber o motivo do uso do acessório: o animal só não estranhava a dona, a funcionária pública, Ana Lúcia. “Se eu sair de casa com ela sem a focinheira, quer atacar todo mundo”, disse.


A atitude de Ana foi elogiada pelo coordenador do Núcleo de Controle de Zoonoses da SES, Francisco de Assis. “Esta é a maneira correta de sair de casa com um animal bravo. E neste caso, do Dia D de Vacinação Contra Raiva Animal precauções como esta protegem o próprio animal os outros, a dona e também o profissional de saúde que está aplicando a dose. O bom seria se todos tivessem esta consciência”, alertou.


Ana foi acompanhada da irmã, a funcionária pública Glória Maria, que também levou seu cachorrinho pra ser vacinado: Lipe, um poodle, de 14 anos. “Dou todas as vacinas dele e faço questão de vir logo cedo, pois daqui já aproveito e o levo para tosar”, falou. Ela estava em dúvida se poderia fazer a tosa após a vacina, mas Assis, que é médico veterinário, garantiu que não há nenhuma contra indicação.


A policial Luciene Puppe trouxe dois gatos: Atena e Odin, ambos com oito meses. “A vacina é muito importante para a saúde do animal e, por isso, fiz questão de trazê-los”, falou.


A vacina está ocorrendo em todos os 223 municípios paraibanos neste sábado (21), das 8h às 17h. Em alguns, a vacinação começou de forma antecipada. “A SES distribuiu a vacina há 15 dias e em algumas localidades iniciou logo, principalmente, em pontos de difícil acesso onde os profissionais de saúde precisam sair de porta em porta”, explicou.


Deverão ser vacinados todos os cães e gatos a partir de três meses de idade e a meta é imunizar, ao todo, 714.284 animais – sendo 522.373 cães e 191.911 gatos. Após o Dia D, a SES estabelece o prazo de 30 dias para os municípios atingirem suas metas.


Francisco de Assis lembra da importância da vacina, pontuando uma situação corriqueira. “Anualmente, na Paraíba, entre nove e 10 mil pessoas procuram as unidades de saúde por conta de mordedura de animais transmissores da raiva e 80% são provocadas pelos cães. O restante é dividido entre gatos, gado, bode, macaco, entre outros”, informou.


Sintomas – Os animais raivosos comumente procuram lugares escuros (fotofobia), não bebem, nem comem, ficam agressivos, desenvolvem salivação abundante e, na sequência, entram em coma e morrem (em cerca de 10 dias).


Caso haja qualquer suspeita de um animal com raiva, o caso deve ser comunicado imediatamente à Secretaria de Saúde do município para que as providências sejam tomadas. Ao serem identificados os sintomas clínicos, o animal deve ser isolado com urgência.


No homem, os sintomas são: transtornos comportamentais e neurológicos, irritabilidade e irritação no local da agressão. Seja em animal ou em seres humanos, a doença é letal em 100% dos casos.


Dados – Na Paraíba, os dois últimos casos de raiva humana foram registrados em 1999, um em Queimadas e outro em João Pessoa. Já com relação aos casos de raiva animal, foi registrado um em julho de 2016, no município de Pedro Régis e outro em agosto deste ano, em Pilões.


A doença – A raiva é uma doença infecciosa aguda, de etiologia viral, transmitida ao homem por meio da mordedura, arranhadura, lambedura de mucosas ou pele lesionada por animais raivosos, provocando uma encefalite viral aguda. A transmissão ocorre quando o vírus rábico existente na saliva do animal infectado penetra no organismo.

A doença acomete o sistema nervoso central, levando ao óbito após curta evolução. É letal em 100% dos casos, por ser causada por um vírus mortal, tanto para os homens quanto para os animais, e a única forma de evitá-la é pela vacinação anual, que não tem contra-indicação.


A raiva apresenta quatro ciclos de transmissão: no ciclo rural, os bovinos, ovinos, caprinos, suínos e equídeos são os principais elementos transmissores da raiva; no ciclo silvestre, as raposas, guaxinins, macacos e roedores têm maior destaque na transmissão da doença; no ciclo aéreo, os morcegos representam o maior perigo; e no ciclo urbano os principais elementos responsáveis pela manutenção do vírus rábico são os cães e gatos.

Fonte:PB Agora

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