Defensor dos direitos LGBT em JP considera a ‘Cura Gay’ uma ameaça aos homossexuais
08/10/2017 - 10h36 em Política

Para além dos contratempos entre Justiça e Conselhos de Psicologia, a liminar que autoriza procedimentos que tratam a homossexualidade como doença traz fragilidade a uma comunidade que tem conseguido pouco a pouco conquistar direitos, defende o coordenador-geral da Coordenadoria LGBT da Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP) e do Centro Municipal de Cidadania LGBT, Roberto Maia.

Os maiores prejudicados, segundo Roberto Maia, são os que ainda se encontram em estruturas familiares fragilizadas. “Recebemos no Centro de Referência muita gente que vem do interior, mais de 90% expulsos de casa porque os pais têm fortes ideais religiosos, acham que o filho está com o ‘demônio’ no corpo. Uma liminar como esta, que volta a patologizar a homossexualidade, torna a situação dessas pessoas ainda mais vulnerável”, disse. Em João Pessoa, dois serviços de acolhimento recebem pessoas LGBTs que foram expulsas de casa. A Casa de Acolhida Adulto I, no Bairro dos Estados, conta com duas pessoas nesta situação; a Casa de Acolhida Adulto II, em Jaguaribe, tem três pessoas nesta situação. O volume de entrada dessas pessoas é constante, informou os coordenadores das casas.

O coordenador do Centro Municipal de Cidadania LGBT vê incoerência na liminar da “reversão sexual”. “Eu, enquanto psicólogo, assim como os Conselhos de Psicologia, não consigo entender como um juiz pode dar um parecer sobre uma decisão que cabe ao Conselho. Se desde 1990 a OMS diz que a homossexualidade não é doença, por que uma decisão dessas vem à tona agora, num momento que tem crescido o fundamentalismo moral e religioso?”, questiona Roberto Maia. 

Fonte:PB Agora

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